Explore corretamente o freio-bridão para cavalos marchadores

Autor: 
Lúcio Sérgio de Andrade: Zootecnista, escritor e árbitro

O efeito alavanca é o principio da ação do freio, que pode ser o convencional, de bocal com curvatura ao centro - chamada comumente de passador de lingua ou ponte -, ou o freio-bridão, que combina as duas ações – de freio e de bridão, podendo ser ação integrada ou independente. O efeito alavanca é entendido como sendo a força exercida pelas hastes do freio convencional, ou do freio-bridão na barbela, sendo a força sentida pelo cavalo na forma da pressão da barbela no queixo. A barbela padrão é a de corrente e a opcional de couro. Se a barbela tem elos simples, finos e pequenos, será de ação severa. Se tem elos grandes e grossos, será de ação moderada. Se a barbela tem elos duplos será de ação moderada e se for de elos duplos e planos será de ação branda. Portanto, o principio da ação do efeito alavanca é o equilibrio entre comprimento/inclinação das hastes e tipo de barbela, para que a ação possa ser moderada, que é a universal, mais facil de ser aceita pela maioria dos cavalos e éguas, com menos risco de desenvolver defeitos nos andamentos. 

O ajuste correto da barbela é imprescindivel para que ocorre o efeito alavanca de forma correta.  A folga entre barbela e queixo deve ser entre um a dois dedos. Se a barbela está muito apertada a pressão no queixo será muito forte, causando desconforto, até mesmo na forma de dor com ferimento. Ao contrário, se a barbela está muito folgada, o bocal não será travado para uma ação eficaz nos pontos de controle. Se for um freio-bridão, o bocal poderá dobrar no centro, onde tem o olhal pequeno da articulação, causando o que se chama de “efeito quebra-nozes”, apertando a lingua.

O bridão tem efeito alavanca, porque as biqueiras da rédea são colocadas no olhal ao nivel do bocal, o que torna nulo o efeito alavanca. Portanto, não se usa barbela no bridão, pois não há como exercer a pressão no queixo sem o efeito alavanca. O olhal do bridão pode ser em forma de D ou redondo. Apesar de ser embocadura de iniciantes – cavalo e cavaleiro -, o bridão é a que pode causar mais desconforto, através da pressão forte e continua nas comissuras labiais e na lingua. Dependendo de como as rédeas são acionadas, o bridão é a embocadura que pode exercer a pressão mais forte na lingua, geralmente na forma de desconforto, dor, porque o bocal dobra na articulação central, exercendo o efeito quebra-nozes, conforme esclarecido anteriormente. Alem deste efeito negativo, há um segundo, o de exercer ação elevatória da cabeça, podendo dificultar a postura correta, desenvolvendo os defeitos de cabeça muito elevada e/ou ponteira. Assim sendo, o bridão não é embocadura especializada para desenvolver a flexão da nuca, exatamente porque não exerce o efeito alavanca, como ocorre na ação do freio-bridão ou do freio. A principal especialidade de ação do bridão é desenvolver a flexão lateral.



Bridão D’agulha bocal de cobre, o mais indicado como primeira embocadura, para finalizar o adestramento básico, que começa com o uso do hackamore de couro. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha – www.equicenterpublicacoes.com.br. Outras opções são de ferro ou de aço inox. A espessura do bocal nos cantos deve ser de 1,5 a 1,8cm, para exercer ação moderada. O cobre é o melhor material para o bocal porque estimula a salivação,  sendo a saliva o “lubrificante” para a ação do bocal, reduzindo atritos nos pontos de controle – comissuras labiais, barras, lingua.


Bridão argola, bocal de ferro com infiltração de cobre nas laterais. O uso do bridão argola é indicado para casos especiicos. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha –www.equicenterpublicacoes.com.br

O freio-bridão é a embocadura de transição, como o próprio nome sugere, após o uso do bridão, que deve ser por tempo limitado, máximo de um mes, aproximadamente, devido aos problemas que o mal uso do bridão podem causar, conforme esclarecido anteriormente. O freio-bridão é de ação mais complexa do que o bridão, porque tem dois efeitos principais – da pressão do bocal nas comissuras labiais (os efeitos secundarios são nas barras e lingua) e da barbela no queixo. Na maioria dos modelos, que são muitos, confundindo o mercado, as hastes são integradas ao olhal, que pode ser em formato D ou redondo, ou simplesmente hastes semelhantes à do freio convencional. Quanto mais longas as hastes, mais forte será o efeito alavanca. Logo, se as biqueiras da rédea são colocadas no olhal ao nivel do bocal, a ação será a mesma de um bridão, nula de efeito alavanca, sem pressão da barbela no queixo. Se as biqueiras da rédea são colocadas na argola inferior das hastes, o efeito alavanca será o máximo, de acordo com o comprimento das hastes. Um efeito alavanca intermediario pode ser exercido atraves da ação de um francalete, que é uma peça de couro, ou de corda, com extremidades fixadas no olhal ao nivel do bocal e na argola inferior das hastes. Portanto, a ação usando um francalete será dupla, de bridão e de freio, dividindo a força do efeito alavanca, que se traduz pela força de pressão da barbela no queixo. Uma outra opção é usar duas rédeas, uma com as biqueiras colocadas ao nivel do bocal e outra na argola inferior das hastes. Dependendo da necessidade, o cavaleiro poderá acionar em separado rédea de ação bridão ou rédea de ação freio, além da ação simultanea de ambas as rédeas.



Freio-bridão olhal em D (conhecido comumente como “Espanhol”), tendo 3 niveis de regulagem do efeito alavanca. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha –www.equicenterpublicacoes.com.br

Freio-bridão Pelham (conhecido comumente como “Ingles”), tendo 2 niveis de regulagem e possibilidade de usar um nvel intermediario com o francalete. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha – www.equicenterpublicacoes.com.br



Freio-bridão Argentino, tem hastes um pouco mais longas que o “Ingles” e um pouco curvas, tendo 2 niveis de regulagem e possibilidade de usar um nvel intermediario com o francalete. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha – www.equicenterpublicacoes.com.br


Freio-bridão Western, de hastes mais longas, com mais recurso do efeito alavanca, mas como não tem olhal ao nivel do bocal, o primeiro estagio deve ser criado com um francalete, sendo as extremidades fixadas nos olhais da faceira e da argola inferior das hastes. Embocadura vendida na Loja Virtual do Cavalo de Marcha – www.equicenterpublicacoes.com.br

O freio-bridão pode ser usado durante meses, não há um prazo pré-estabelecido, como no caso do bridão. Isto porque o ajuste do efeito alavanca deve ser gradual, para forçar o avanço progressivo, com paciencia, do nivel do adestramento. Uma das falhas usuais no uso do freio-bridão é iniciar o treinamento com as biqueiras da rédea colocadas em estagio 3, ou seja, explorando o máximo do comprimento das hastes, exagerando na força do efeito alavanca, sem que a boca esteja preparada, a nuca ainda muito rigida e a propria sensibilidade do queixo ainda não preparada para uma força mais forte da pressão exercida pela barbela. 

Se o cavalo demonstra resistência aos comandos de rédeas, seja nas viradas para ambos os lados, paradas, esbarro ou recuo, deve ser feita a transição do estágio do efeito alavanca, ou a transição para o freio, caso as biqueiras da rédea ja estejam colocadas na argola inferior de um freio-bridão de hastes longas. A resistência é a forma de comunicação do cavalo com o treinador, ou seja, a comunicação ocorre via embocadura, além de sinais emitidos pelas variações no posicionamento da cabeça; abrir e fechar a boca; pela movimentação das orelhas e cauda; e variações no diagrama e estilo da marcha. 

Se o freio-bridão tem pouco comprimento de hastes, antes de fazer a transição para um freio convencional, caso o cavalo “solicitar”, atraves de uma ou mais reações de resistência,  uma alternativa poderia ser a transição para um freio-bridão de hastes mais longas. O importante é que todo cuidado ainda será pouco para fazer a ultima transição entre tipo de embocaduras, que é a transição para o freio, a embocadura 100% profissional, e a que oferece uma maior gama de recursos para refinar o adestramento, deixando os comandos de rédeas bem suaves. A

*Lúcio Sérgio de Andrade – Zootecnista, escritor, árbitro de equideos marchadores, Pedidos de livros impressos, livros digitais em CD, DVD’s, CURSOS ONLINE, equipamento para doma e treinamento de cavalos marchadores, através do site www.equicenterpublicacoes.com.br ou email luciozootec@gmail.com